Após ler o mais famoso romance de Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser, teve início a minha insaciável gana por leituras do autor tcheco. Embora eu me encontre aqui para fazer uma breve descrição e opinar a respeito de sua última obra que li, Risíveis Amores, é irresistível não fazer (novamente) uma pequena digressão e não citar também O Livro do Riso e do Esquecimento. Não, não quero me gabar e tampouco levar Kundera para o TCC e as especializações eternas. Quero, apenas, que os apreciadores de tão fascinante autor mergulhem nos intertextos e complementações que se refletem nas três obras. O dualismo peso-leveza, as excentricidades individuais e o retrato de curiosas relações humanas se fazem presente sempre de maneira a causar calafrios – de tão real sensação, de tão perfeita descrição de sentimentos.
Risíveis Amores, escrito entre 1960 e 1968, é dividido em sete partes. Em todas as narrativas, o amor aparece como protagonista, cedendo lugar, ao desenrolar da narrativa, à excentricidade humana e ao cômico – são personagens que entram em jogos hipócritas do tipo ‘vou fazer de conta que não sinto e que não vejo’ e acabam se expondo ao absurdo, ao ridículo, ou, então, deparando-se com a própria imagem diante do espelho, agora sem máscaras e vestes que possam descaracterizá-los. Mas, afinal, quantas são as relações que fogem a esse ciclo, que insiste em nos trazer de volta à nossa solidão? Talvez seja, principalmente, por essas aproximações sensoriais e pela maneira de encaixar perfeitamente as palavras que Kundera surpreende mais uma vez e nos deixa em estado reflexivo.
Obra absolutamente recomendada e capaz de tornar-se ainda mais rica com as leituras (complementares) de A Insustentável Leveza do Ser e o O Livro do Riso e do Esquecimento – a ordem de manuseio torna-se irrelevante nesse caso.
Uma boa leitura a quem for se aventurar nas indecifráveis entranhas do amor!

